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06 jun 2022

Desafios e prioridades do CEO no pós-pandemia

O otimismo dos CEOs ao redor do mundo é estável e alto, sendo que a perspectiva sobre o crescimento global é positiva | Foto: Getty Images

Por Renata Giovinazzo Spers

Quais são as principais preocupações dos CEOs das empresas do mundo todo, após dois anos da pandemia? Esta foi a pergunta feita a 4.446 CEOs de 89 países e territórios que responderam à Pesquisa Anual Global de CEOs 2022, da consultoria PwC.

Apesar do momento ser mais animador, os resultados da pesquisa mostram ameaças, incertezas e tensões que preocupam os CEOs para o futuro pós-pandemia. Embora as decisões dos altos executivos envolvam uma visão de longo prazo, neste momento os CEOs de empresas ao redor do mundo estão mais preocupados com elementos que possam minar o alcance das metas financeiras de suas empresas, tais como o potencial de um ataque cibernético ou choque macroeconômico. Desafios de mais longo prazo, como as mudanças climáticas e a desigualdade social, parecem representar ameaças imediatas menores à receita.

De maneira geral, o otimismo dos CEOs ao redor do mundo é estável e alto, sendo que a perspectiva sobre o crescimento global é positiva, apesar de quedas que ocorreram em várias economias. Dados mostram que 77% dos CEOs acreditam que o crescimento global (PIB) tende a melhorar, com destaque para Índia, Japão e Reino Unido.

Mais da metade dos CEOs também relatam altos níveis de confiança sobre suas próprias perspectivas de crescimento da receita nos próximos 12 meses. Os mais otimistas são CEOs de empresas do setor private equity (67% estão altamente confiantes sobre o crescimento de sua empresa) e setor de tecnologia (64%). Ambos os setores continuam a se beneficiar de grandes afluências de capital, graças às condições financeiras favoráveis que prevalecem nas economias mais avançadas. Entre os CEOs que expressam uma perspectiva mais tensa estão os dos setores automotivo (46%) e de hotelaria e lazer (44%), que estão enfrentando desafios provenientes da pandemia. A inovação fomenta o crescimento e muitas vezes é impulsionada por organizações pequenas e ágeis.

As ameaças que mais preocupam os CEOs são os riscos cibernéticos (49%), a situação de saúde global (48%) e volatilidade macroeconômica (43%), devido ao seu potencial de inibir os resultados dos negócios e receitas no curto prazo. As pressões de criação de valor de curto prazo que impulsionam as preocupações mais urgentes dos CEOs estão relacionadas a metas de satisfação do cliente, engajamento dos funcionários e automação ou digitalização. Esses resultados não financeiros estão entrelaçados com o desempenho dos negócios. Metas relacionadas a sustentabilidade de longo prazo estão menos representadas, em especial metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (13%), representação de gênero da força de trabalho (11%) e diversidade racial e étnica (8%).

Embora a busca pela redução de emissões de gases de efeito estufa para perto de zero seja difícil para algumas empresas e setores, 67% das grandes empresas (faturamento de US$ 25 bilhões) assumiram compromisso de redução das emissões, em especial as empresas públicas. Em termos setoriais, as empresas de energia são as que lideram este compromisso de redução de emissões. Os principais fatores que motivam as empresas a assumir tal compromisso são atender às expectativas dos clientes e mitigar os riscos das mudanças climáticas. Indo mais a fundo sobre este tema, os dados da pesquisa mostram que quanto mais significativo for o compromisso de descarbonização da empresa, maior a probabilidade de inclusão de metas de emissões de gases em sua estratégia corporativa.

A oportunidade (e desafio) com relação a esta questão da sustentabilidade fica clara: o progresso na solução dos problemas mais difíceis da sociedade ficará limitado sem a ação ousada dos CEOs que administram recursos corporativos críticos. Os imperativos financeiros de curto prazo permanecem críticos, em especial após dois anos de pandemia, assim como as necessidades sociais mais amplas exigem ações imediatas.

 

Cinco prioridades para os CEOs

Diante deste contexto, a pesquisa indica cinco prioridades que devem ajudar os CEOs a entregarem resultados sustentados aos stakeholders:

• Redefinir a conversa: Os conselhos devem conversar com seus CEOs, e o CEO com suas principais equipes, sobre as questões financeiras e recursos da organização. O entusiasmo com o ESG deverá caminhar junto com as demandas financeiras de curto prazo, em especial neste momento de recursos escassos pós-pandemia. É importar abordar trade-offs de forma realista, trazer investidores e criar uma agenda estratégica.

• Recalibrar habilidades: A pesquisa aponta para prioridades de capacitação relacionadas a segurança cibernética, cultivo da confiança e medição e gerenciamento da descarbonização no âmbito da alta gestão.

• Reavaliar a sucessão: O planejamento sucessório é fundamental para líderes e conselhos começarem a criar o futuro desejado.

• Repensar incentivos: A forte associação entre incentivos, compromissos ligados ao ESG e outros resultados não financeiros sugere que é hora de conselhos e equipes de gestão olharem com atenção para o ajuste entre as prioridades e remuneração nas organizações.

• Reimaginar a colaboração: Enfrentar os desafios mais urgentes da sociedade não será uma tarefa individual. Deverá existir uma forte cooperação entre líderes empresariais, governo, investidores e organizações da sociedade civil.

O futuro das organizações e da sociedade percorre muitas destas prioridades. Fica claro que deve haver um equilíbrio entre resultados financeiros de curto prazo, em especial em um momento pós-pandemia, e visão estratégica de longo prazo. Ações conjuntas entre diferentes stakeholders podem ajudar a diminuir a distância entre as expectativas da sociedade e interesses das organizações. Certamente os CEOs terão um papel cada vez mais importante neste processo, com olhar para o futuro e ação no presente.

Artigo publicado em 03/06/2022, no Blog O Especialista

https://oespecialista.com.br/opinioes/desafios-e-prioridades-do-ceo-no-pos-pandemia/


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